A origem dos Encontros das Autoridades Competentes em Medicamentos dos países Iberoamericanos (EAMI) resultou da necessidade sentida pelos diversos países na constituição de um fórum de discussão e intercâmbio de experiências, que possibilitasse, através de um conhecimento mais aprofundado das diversas realidades, um incremento da qualidade das actividades de cada Autoridade Competente.
O primeiro encontro teve lugar em Madrid em Fevereiro de 1997 e foi organizado pela Direcção Geral de Farmácia e Produtos Sanitários dos Ministério da Sanidade e Consumo em colaboração com as outras Autoridades Competente em Medicamentos dos países Ibero-americanos. Até hoje o EAMI reuniu por seis vezes, a última das quais foi em Lisboa em Outubro de 2006, num Encontro organizado pelo INFARMED, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde de Portugal.
A criação do Mercado Único Europeu em 1 de Janeiro de 1993, facilitando a livre circulação de medicamentos, desencadeou a necessidade de adopção de mais de trinta normas comunitárias e um novo marco jurídico do medicamento na Europa. Em Espanha e Portugal tinham sido aprovadas leis nacionais do medicamento, coincidindo com uma tendência geral a fim de contribuir à semelhança de outros países, à existência de medicamentos de qualidade, eficazes e seguros, correctamente identificados e com informação adequada. A criação da Agência Europeia de Avaliação de Medicamentos (EMEA) em 1995 possibilitou a autorização de medicamentos a nível Europeu por intermédio do novo procedimento centralizado, designadamente medicamentos obtidos por biotecnologia e alta tecnologia, permitiu a coordenação dos recursos científicos existentes e contribuiu para a criação de uma rede Europeia entre a EMEA e as agências nacionais de União Europeia.
Paralelamente, surgiam também processos de integração regional na América Latina e o MERCOSUL. A 1 de Janeiro de 1995 entra em vigor o imposto externo comum e a política comercial do MERCOSUL (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), estabelecendo-se como União Aduaneira e Zona de Comércio Livre para a grande maioria dos bens trocados entre os países membros. A 25 de Junho de 1996, em Potrero de Funes, na Província de San Luís, o MERCOSUL subscreveu com as Repúblicas do Chile e da Bolívia os respectivos acordos de comércio livre, permitindo a criação de zonas de comércio livre com cada um destes países num período de 10 anos.
Por outro lado, a Acta Final dos Acordos do Uruguai Round, assinada em Abri de 1994, entrou em vigor a 1 de Janeiro de 1995, data em que a Organização Mundial do Comércio (OMC) iniciou as suas actividades. Em Dezembro de 1992 terminaram as negociações sobre o Acordo de Comércio Livre com os Estados Unidos da América, Canadá e México, tendo o tratado entrado em vigor a 1 de Janeiro de 1994.
A nova situação internacional e regional, a globalização crescente da economia, do comércio e os progressos técnico-científicos contribuíram sem dúvida para o interesse da realização de um primeiro Encontro das Autoridades Competentes em Medicamentos dos Países Ibero-americanos, ultrapassando barreiras culturais e linguísticas, com o fim de partilhar experiências e criar pontes de intercâmbio no domínio farmacêutico entre a Europa e a América Latina.
Apoio às Cimeiras Ibero-americanas
No primeiro Encontro de San José na Costa Rica realizado em Setembro de 2000 é apresentada uma proposta do Grupo das Autoridades Competentes em Medicamentos dos Países Ibero-americanos aos ministros da Saúde: "Assegurar o apoio necessário e de forma permanente aos grupos de trabalho e às recomendações dos Encontros das Autoridades Competentes em Medicamentos dos Países Ibero-americanos (EAMI) aprovadas pelos respectivos representantes em matéria de avaliação, autorização, controlo e farmacovigilância de medicamentos assegurando a sua qualidade, eficácia e segurança. Fortalecer as actividades de formação continuada e o intercâmbio de informação neste âmbito para contribuir para a protecção e promoção da Saúde Pública em benefício da população em geral".
No âmbito da VII Conferência Ibero-americana de ministros da saúde, celebrada em Granada, Espanha nos dias 14 e 15 de Setembro de 2005, no contexto da XV Cimeira Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo, transcreve-se parte do preâmbulo geral da declaração: "O espaço Ibero-americano de Saúde - Perspectivas de futuro" foi manifestado pelos ministros da Saúde o entendimento de que a criação e o fortalecimento de redes institucionais temáticas de cooperação é uma forma eficaz para impulsionar o espaço Ibero-americano de Saúde. Foi também acordada a criação de uma rede Ibero-americana de políticas de medicamentos, reconhecimento referido na Declaração de Granada assinada pelos ministros da Saúde. Esta decisão reflectiu-se também na Declaração de Salamanca (ponto 16), assinada no final da XV Cimeira Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo em Salamanca, Espanha, nos dias 14 e 15 de Outubro de 2005.
No V Encontro celebrado no Brasil de 2004, decidiu-se que Portugal e Espanha fossem membros do Secretariado, e a inclusão de um país da América Latina com carácter rotativo, coincidindo com o país anfitrião do Encontro designado pelo grupo e mantendo dentro do possível a alternância dos países de um e de outro lado do Atlântico.
No VI Encontro de Lisboa em Outubro de 2006 foi decidida a disponibilização de uma rede informática que servisse de plataforma de discussão e transferência de conhecimento com pontos de contacto em cada país e, identificada como actividade principal da rede EAMI, a troca de alertas de segurança e qualidade. Em Lisboa, foi também decidido alargar a participação latino-americana no Secretariado EAMI.
Constituir como um fórum de cooperação que possibilite, através do conhecimento de realidades distintas, um aumento da qualidade das actividades de cada Autoridade Competente.
Promover o intercâmbio de informação técnica, organizativa e de experiências entre os países membros, para garantir o acesso a medicamentos e produtos de saúde, assegurando a qualidade, eficácia e segurança dos mesmos, com enfoque particular nos países Ibero-americanos.